O Deus das pequenas coisas- Arundhati Roy

Falar deste livro é falar de histórias que, como pequenos rios, vão engrossando o caudal da história grande: a descida à infância, o lirismo, a Índia, as coisas grandes que nunca são ditas, a amargura, a fealdade, o mal, a prepotência, a brutalidade, a alegria, a luta dos pobres, os medos, o amor, a capacidade de criar uma família, de tudo quanto existe como pano de fundo na Índia, como as castas, o lugar das mulheres, a violência de género; tanta coisa terrível de que não se fala, que é como se não existisse, mas existe, está lá, e como o mar, volta e meia, assenhoreia-se do modo de viver que é o seu e mata, destrói, rebenta com tudo, implacável.

Fala-nos de tanta coisa este livro riquíssimo que nos aproxima das diferentes realidades de uma forma quase inocente, traz-nos e leva-nos num labirinto de frases que são peixes prateados com pedaços de infância colados à barriga.

Três gerações, três visões, três contextos diferentes, três formas diferentes de sentir, ser, amar e estar na família.

E as histórias vão se desenrolando, histórias trágicas: um rapazinho que sofre violência, uma menina que morre afogada, uma mulher que obrigam a morrer em vida, um homem assassinado pela lei, e como pano de fundo, vermelho vivíssimo, as extremas desigualdades sociais e de género, a prepotência mais visceral e uma pretensa moral que justifica o injustificável; tudo escondido debaixo do prato das atrocidades sem fim.

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