Olhos Azuis, Cabelo Preto – Marguerite Duras

Olhos Azuis, Cabelo Preto é mais um interessante, breve, mas denso livro de Duras. Um livro ao estilo da autora, e porque não havia de ser?

Vai directa ao assunto, ao que interessa, e o que interessa são os desentendimentos, procuras, enganos, partilhas, mentiras, desesperos, querer e não querer, e é disso que este texto fala, como que a despropósito, por marés que vão e vêem e constroem um relacionamento amoroso feito de angústia, posse, perda, dor, partilha de histórias, encontros e desencontros, comunicação ou ausência dessa comunicação.

Vive do encantamento das palavras que se repetem orientadas para a sua raiz, o que as palavras não forem capazes de fazer florescer não existe. É uma narrativa que tem partes chocantes, ditas de uma forma tão simples que quase passa como se não fosse nada. Mas é.

É um livro arrancado à escuridão e por isso traz agarrado a si muito de trevas, a escrita vira-se para dentro como se descesse a várias zonas de profundidade de um poço. É um texto sobre o texto, alguém está a encenar uma peça de teatro e as personagens são actores, mas essa encenação é montada com a carne viva de histórias tão reais como a realidade. Tudo, ou quase tudo, se passa num quarto de hotel onde os dois amantes, que não são bem amantes, se encontram e tentam formar um par; na verdade cada um atira as suas histórias contra o muro que é o outro. É um livro que se vai delineando, intensificando, dando voz a muita ausência. A ler.

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