Um livro de poesia de Luís Miguel Nava -“Vulcão”.


Apetece pescar telegraficamente a essência das ondas de poesia deste excelente autor.
Poesia de pouco, poucas palavras, mar (sempre o mar), relâmpagos, rebentação, trovoadas, ondas, fios, espelhos, nudez, leite, coisas do mundo cosidas ao corpo, coisas do corpo cosidas ao mundo, intestinos cá fora a serem céu, ou entranhas, poesia límpida, pouca variedade de temas (não precisa ser muita), mas os temas que atinge, rasga-os de alto a baixo em toda a extensão e profundidade. Uma brancura, uma limpidez inteira envolve os seus poemas que transbordam quase à borda da narração.
Poesia de muito: muitíssimas e belas metáforas, palavra trocada por metáfora pessoal, original, inusitada, de poeta autêntico.
Poesia que se debruça sobre si de uma forma tal que abre janelas para o mundo e portas e espelhos, traz o mundo a si, para logo se reconstruir com partes desse mundo. Forma pessoalíssima de ser poesia.
É um livro que dá gosto reler vezes sem conta a ver se se ganha espaço a tempo dos poemas se tornarem coisas da nossa casa de dentro.
Vale muito a pena ler para ser lido, como acontece com a grande poesia.

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